• Carol Rodrigues

Como virei Jogadora de Futebol

Updated: Mar 18




Atual atleta do Palmeiras Feminino, Carol Rodrigues posa com a Seleção Brasileira Feminina Sub-20
Seleção Brasileira Sub-20

Início da carreira no Futebol


Meu nome é Ana Caroline Rodrigues mas desde cedo fiquei conhecida no futebol nacional como Carol Baiana. Eu fui inserida no esporte em geral muito cedo. Sempre fui uma criança que gostasse muito de brincar do lado de fora, de correr, de explorar. Quando eu tinha 6 pra 7 anos, fui vítima de uma crise alérgica muito forte, cheguei a ser hospitalizada por algumas semanas em um estado bastante preocupante. Após muitos exames médicos que detectaram uma rinite alérgica num grau considerável, o meu pediatra sugeriu que eu fizesse Natação e outras atividades físicas. E assim, como dizem por aí que alguns males vêm pro bem, eu comecei a nadar, jogar, correr, pular e praticar diversos esportes até que com mais ou menos 9 anos descobri que dentre todos os esportes que eu praticava na época o futebol era o que mais me apetecia e o que eu tinha mais destreza em praticar.


Após descobrir que o que realmente amava era o Futebol eu implorava para que meu irmão, que cuidava de mim para que meus pais pudessem trabalhar, deixasse-me jogar no meio dos amigos dele, mas a resposta era sempre não, pois ele tinha medo que eu me machucasse. Então, eu ficava na beirada do campo como gandula repondo as bolas que saiam com um passe ou um chute na tentativa de mostrar que eu tinha capacidade de participar do jogo. Cansada de ser barrada do jogo dos grandes, eu montei meu próprio grupo de amigos e comecei a jogar num horário diferente no campinho de terra do condomínio em que morávamos. Não só montei meu próprio grupo da pelada como logo depois eu queria que fôssemos um time de verdade e daí pedi a meus pais que me ajudassem a pedir ajuda para confeccionar coletes e comprar alguns materiais pois eu iria inscrever nosso time numa competição de bairros que acontecia nos arredores. Durante essa competição o técnico de um dos times me viu no meio de tantos meninos e me convidou a participar da escolinha de futebol dele e eu aceitei. Contanto minha mãe no começo não gostou muito da idéia, mas viu que eu realmente almejava algo muito além do que uma atividade extra curricular.


Atual atleta do Palmeiras Feminino, Carol Rodrigues posa com os seus pais após o jogo do seu time University of Central Florida, nos EUA
Carol Rodrigues com seus pais

Então aos 10 anos de idade vesti meu uniforme da escolinha e meu pai me acompanhou para o meu primeiro treinamento de futebol numa equipe totalmente formada por meninos. Após alguns meses nessa escolinha, alguns campeonatos fazendo gols e me destacando logo fui movida para uma outra escolinha, mais estruturada e com professores renomados na cidade por revelar grandes talentos, nomes como Daniel Alves e Petros vieram do mesmo celeiro de atletas. Na época a escolinha chamava-se Escolinha do Bahia e fomos disputar um campeonato em Minas Gerais. Foram quase três dias de ônibus até chegar ao nosso destino. Até hoje não sei como meus pais permitiram que eu fizesse essa viagem sozinha para jogar futebol no meio de meninos. Sem muita demora os comentários sobre a minha participação no campeonato vindo de outros treinadores se tornou o assunto da competição. Joguei todo o campeonato me destacando dentro e fora de campo. Até que na reta final do campeonato um rapaz se aproximou e disse que conhecia um projeto de Futebol Feminino na cidade de Araraquara-SP e estaria disposto a passar o contato para que eu fosse fazer um teste, pois eu tinha talento e deveria ter a oportunidade de jogar com meninas.


Atual atleta do Palmeiras Feminino, Carol Rodrigues, vesta a 19 da Seleção Brasileira Sub-20 de futebol feminino
Carol Rodrigues vesta a 19 na Seleção Brasileira Sub-20

Passagem por clubes no exterior


Eu retornei pra casa com a novidade e meus pais ficaram receosos a princípio, sem saber ao certo como uma menina de apenas 14 anos já falara em sair de casa para seguir seu sonho. Assim que meu ano letivo terminou naquele ano e em comum acordo com meus familiares eu resolvi agarrar a oportunidade de ir para São Paulo. E assim foi, aos 14 anos saí do interior da Bahia, acompanhada por minha mãe, para o que seria o começo de uma carreira promissora no Futebol. Após duas semanas no time, não só fui aprovada como resolvi ficar e comuniquei a minha mãe que ela poderia voltar para casa. Ela me olhou incrédula, porém sabendo que minha vontade de seguir meu sonho era incontornável. Antes de retornar o único pedido que ela me fez foi nunca deixar de ir pra escola e eu a prometi que iria conciliar os dois.

Permaneci dois anos no time da Ferroviária de Araraquara e lá tive minha primeira convocação para a Seleção Brasileira sub-18. Após minha passagem pela Ferroviária eu tive uma passagem rápida pelo Bangu-RJ e segui para Vitória de Santo Antão aonde tive uma passagem recheada de títulos, prêmios individuais e a oportunidade de jogar minha primeira Copa do Mundo sub-20 pela Seleção Brasileira no Japão em 2012. Após tudo isso no futebol eu também conclui meu ensino médio (cumprindo minha palavra com minha mãe) e segui para os Estados Unidos numa oportunidade ímpar de jogar e estudar com uma bolsa integral numa universidade americana.


Atual atleta do Palmeiras, Carol Rodrigues, treina com o Orlando Pride, time feminino da Flórida, EUA
Carol Rodrigues treinando com o Orlando Pride, nos EUA

Em 2013 decidi sair do Brasil, e o destino foi a cidade de Nova Iorque para jogar e começar minha faculdade. Ingressei na Faculdade Monroe College o que é uma Community College pois na época o meu inglês não era suficiente para uma universidade D1 ou D2 ainda, mas isso não foi empecilho, pelo contrário, fui ainda mais motivada a aprender. E assim iniciei meus estudos em Business Administration. Recordo-me que os primeiros três meses foram bastante desafiadores, pois não só tinha de me adaptar como também aprender a língua. Mas eu não desisti e após 6 meses eu já estava falando muito bem o idioma e indo muito bem não só na sala de aula, mas também no futebol, o que ocasionou uma outra oportunidade de jogar o Sul-Americano e mais uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira sub-20. Contudo minha faculdade só me liberou para o Mundial e então assim eu joguei outra Copa do Mundo com a Seleção Brasileira sub-20 no Canadá. Ainda na Monroe College fomos campeãs nacionais e eu ganhei o prêmio de MVP (jogadora mais valiosa) da liga americana.



Após dois anos em Nova Iorque eu me transferi para a segunda maior universidade dos Estados unidos – University of Central Florida. Lá, já adaptada e dominando a língua não só dei continuidade a meu curso como também assumi o posto de liderança no time, me tornando capitã. Na florida, não só me graduei como também construí amizades incríveis, ganhei reconhecimento nacional após um golaço de bicicleta e o prêmio de melhor atacante de toda a conferência do ano.

Em 2017, já graduada, integrei a equipe professional do Orlando Pride lá mesmo nos Estados Unidos. Treinei por vários meses buscando meu lugar no time, mas aí devido a uma regra da liga americana no limite de atletas internacionais eu não pude firmar meu contrato tendo de ceder espaço pra Marta, isso mesmo MARTA. Pra ela tem que aceitar ceder a vaga né!? Com isso, segui para França com destino à Bordeaux para um período de testes na equipe profissional de lá. Após duas semanas de muito treinamento eu consegui firmar um contrato de dois anos no time do Girondins de Bordeaux.


Em 2019 segui no campeonato Francês mas agora no time do Dijon, tive uma passagem interrompida pela pandemia e seguida de uma transferência já no ano de 2020 para o tradicional time do Hammarby em Estocolmo na Suécia, aonde tive uma passagem arrasadora levando o time ao acesso a primeira divisão do futebol Sueco em 4 meses.


Retorno ao Brasil

A Atleta de futebol feminino, Ana Caroline Rodrigues, sendo apresentada ao Palmeiras
Ana Caroline Rodrigues sendo apresentada no Palmeiras

Em 2021, devido a pandemia e a evolução da modalidade do futebol no Brasil decidi defender a cores do tradicionalíssimo time do Palmeiras em São Paulo e aqui estou, esperando o que está por vir para poder completar os próximos parágrafos dessa minha história com o futebol.



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